Andava pelo mundo
sem ser notado.
Era calado pela mordaça
da timidez
que lhe cobria a boca.
Mas não desistia,
continuava seguindo
o seu caminho.
Vendia a sua dor
para se sustentar.
Roubava sorrisos
de outros para não
se matar.
Sequestrava palavras
de afeto também
dos outros
para se sentir vivo.
Também comia
e bebia a natureza
para se sentir
filho de Deus.
Mas sempre carregava
em suas costas
a mochila pesada
da solidão.
Um certo dia aquele
andarilho desapareceu.
Como ele era invisível
para os outros ninguém notou.
Isto pelo seu cheiro de sofrimento,
pela sujeira da discriminação,
por seus olhos observadores,
por suas roupas conservadoras
e pelo semblante rasgado
pelo tempo rastejante
no deserto de sua vida.




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